Notícias

História de Superação entre mãe e filha na Rocinha

Me chamo Gisele lima e essa é a minha história de superação!
Tudo começou em 2012, quando descobri que estava grávida do meu segundo filho e em seguida que era renal crônica.

 

No decorrer da minha gravidez, lá pelos 5 meses quando tudo se encaminhava normalmente, surgiu um “grande imprevisto”, em um dos exames que fiz, recebi o diagnóstico da doença renal crônica, para quem não sabe, isso ocorre quando os rins da pessoa não conseguem filtrar as impurezas do corpo, ou seja, expulsar as toxinas que são produzidas no nosso organismo, estando assim precisando do auxílio de uma máquina de hemodiálise, para poder fazer a filtragem, quando os mesmos já não funcionam mais. As pessoas que fazem esse tipo de tratamento precisam estar indo de 3 a 4 vezes por semana no hospital, tendo que estar conectados por 4 horas em uma máquina de hemodiálise, através de um cateter ou fístula para que ela possa fazer aquilo que os rins já não fazem mais, ou seja o procedimento libera o corpo dos resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos.… E claro o tempo e a frequência das sessões de diálise podem variar de acordo com a gravidade do comprometimento renal do paciente e existem diversas intercorrência que ao longo desse tratamento podem ocorrer como: Dor de cabeça;Cãibras;
Queda da pressão arterial;
Reações alérgicas;
Vômitos;
Calafrios;
Desequilíbrio dos eletrólitos do sangue;
Convulsões;
Além disso, pode haver a perda da fístula, em que o fluxo de sangue é obstruído. Por isso todo cuidado é pouco! Existem dois tipos de insuficiência renal: A aguda que é quando a função dos rins voltam a funcionar depois de um certo período! E a insuficiência renal crônica: Que é quando os rins já não funcionam adequadamente, e a hemodiálise pode ser mantida por toda a vida ou até que seja realizado um transplante renal, que foi o meu caso!

Durante meu tratamento tive diversas intercorrência, passei praticamente os 3 anos da minha vida, com internações, perdi praticamente 3 anos da vida do meu primeiro filho, tive problemas que levaram à crises de ansiedade, medos, a separação e por fim o desgaste psicológico! Nesse mesmo ano de 2012, meu bebê com 7 meses, depois de um exame de ultrassonografia começou a entrar em sofrimento dentro da minha barriga, aí tiveram que tirar ele para tentar salvá-lo fora, só que a idade gestacional era incompatível com o tamanho dele, ele nasceu pesando 500 gramas, tão pequenininho que os dedinhos mau cabiam no meu dedo mindinho.

Eu sabia que ele não me pertencia, que ele só veio somente para mostrar o que estava de errado no meu organismo e que eu talvez quando fosse descobrir, seria tarde demais! Se chamava Gabriel, faleceu no 3 dia, as 6:00 horas da manhã do dia das mães! Será pra sempre meu anjo da guarda 👼!!! Meu anjo Gabriel… Sabe, algumas pessoas podem não acreditar, mas na noite em que ele faleceu, eu sabia que ele não estava bem, era como se meu corpo estivesse eletrizado, uma agonia surreal, horrível, como se estivéssemos interligados de uma forma surreal e inexplicável… Passado o acontecido eu ainda teria outras batalhas a serem vencidas. No ano de 2015/26 de janeiro, fiz uma viagem de um final de semana, era a primeira vez que eu viajava depois de tanto tempo não podendo me ausentar do hospital, fui ao casamento de uma prima, Ana Cláudia, eu poderia dizer que seria uma despedida minha a toda família que ali estaria reunida, pois eu já não aguentava mais, devido eu não urinar mais, não poderia beber líquidos e nem comer muito, a única coisa que eu poderia fazer quando sentia cede, era comer 1 pedra de gelo, nessa época eu já estava muito debilitada devido ao processo de hemodiálise, mas eu mau imaginava o que estava por vir… Depois desse incrível final de semana, voltamos para casa, eu me sentia bem e feliz, por ter estado com essa parte da família que mora em Belém do Pará! Já no Rio de Janeiro, por teimosia minha eu não fui ao hospital, pois achava que estava bem, e fiz o que poderia ter custado a minha própria vida! Foi então que as 17:00 do dia 26 de janeiro de janeiro, uma segunda feira, pós final de semana, comecei a passar mau, com muita falta de ar, coisa que já não estava mais tendo, liguei para o pai do meu filho, e pedi socorro, ele chegou em seguida, e me levou quase não conseguindo andar, com tanta falta de ar, tossi e me afogando com meu próprio líquido do corpo, durante o caminho eu já não aguentando mais, ele me carregou no colo e me levou até uma viatura e pediu socorro, que me levassem até o hospital Miguel Couto, sim, porque lá tinha Hemodialise e nesses casos quando uma paciente renal crônica passa mal, fomos informadas que sempre teríamos que ir a um hospital que tivesse máquina de hemodiálise, nunca para upa, ou algo do tipo, se não, poderíamos morrer! Eles acharam melhor me levar pra upa da rocinha, pq era mais perto e assim foi orientado! Chegando na upa, eu já não conseguia respirar direito devido ao líquido que estava preso dentro de mim, praticamente desacordada! Dei entrada e logo fui levada para sala de emergência onde eu realmente pude vê a mão de Deus sobre a minha vida, a todo momento eu só sabia falar que tinha que ir pra um hospital que tinha Hemodialise, e que eu precisava dialisar… Se não, eu morreria! O médico largou o plantão e a todo momento segurando a minha mão, ele dizia; calma! Você não vai morrer! Eu prometo! Minha pressão estava a 23 bpm, super alta! Aplicaram tanta coisa na minha veia que eu já não sentia nada e mau conseguia abrir os olhos… Nesse tempo foram colocados 3 tipos de máscara no meu rosto, a primeira não deu certo, a segunda tbm não, a terceira e última era interligada a uma máquina e eu teria que respirar junto a velocidade dela, ou seja respirar e inspirar conforme ela inspirava e respirava! E eu te pergunto; Como uma pessoa que mau consegue respirar, pois está se afogando, vai respirar na velocidade da máquina? Impossível… Mas eu precisava conseguir! Minha pressão foi normalizando, e eu fui voltando ao normal… Resolveram tirar a máscara, foi então quando eu não conseguia mais respirar e inspirar, era como se em mim não havia mais fôlego… Eu desfaleci, a única coisa que eu consegui falar foi: Eu Não consigo respirar! E cai pra trás, lembro-me vagamente que estava de joelhos, quando eu senti minha alma indo embora, meus sonhos, o sonho de poder conseguir criar meu filho, a esperança de dias melhores e o meu tão sonhado transplante! Eu sentia como se a morte começasse pelo dedinho do meus pés e fosse subindo cada vez mais, eu não conseguia orar, a única coisa que eu sabia era que estava indo embora! Nesse momento eu só consegui abrir os olhos e olhar para o pai do meu filho que estava ao lado da cama, e fechei o olho, acabou! Eu vou morrer… Nessa hora ele pegou a máscara e apertou no meu rosto, eu já não conseguia mais fazer nada, nos fleche em minha memória que tive naquele dia, eu só me recordo que houve uma correria, até que eu acordei dentro da ambulância a caminho do hospital e lembro de uma voz no meu ouvido dizendo: Abre os olhos e olhe pra sua mãe, diga a ela que você está bem! Eu sabia que aquela voz era diferente, era uma voz doce, daquelas vozes que a gente não escuta em qualquer lugar! (Era Deus) eu sei e tenho a plena certeza disso! Eu abri meus olhos e vi minha mãe com os olhos avermelhados e assustados de tanto chorar 😢… Eu disse: Eu Tô Bem! 🥺, e ela disse: você tá bem mesmo? Eu tornei a dizer: sim, tô sim!😇

Fui para o Cti com edema agudo pulmonar, mas estava estável!!! O pai do meu filho a todo tempo do meu lado, me encorajando que tudo iria ficar bem, e eu só sabia pedir a ele para que não me deixasse ser entubada, pq eu certamente morreria, assim como aconteceu com muitos amigos que eu fiz durante meu tratamento! 💔😢

Gisele Lima e Risomar Lima

Nesse mesmo ano de 2015/ 13 de agosto, eu consegui me restabelecer, e consegui o tão sonhado transplante! A peça  fundamental desse processo, claro depois de Deus, foi minha mãe… Sim, pois foi através dela que eu consegui transplantar, depois de tantas intercorrências, tantos exames, tantas dormidas no hospital, tantos cuidados com meu primeiro filho e com minha casa, conseguimos! Sabe, durante todo esse meu processo estávamos na igreja, com os irmãos orando constantemente por nós, e intercedendo para que tudo acontece conforme a vontade de Deus! Por todos os hospitais que passei, as pessoas que conheci, os amigos que formei, as perdas que tive, eu sempre senti a mão de Deus sobre a minha vida! Sempre soube que ele estava comigo e com a gente no geral… Sou grata demais a toda equipe de enfermeiros que cuidaram de mim, médicos pela dedicação, aos hospitais que passei e fui bem acolhida, a minha assistente social que eu amo demais e que foi como uma segunda mãe para mim, ao pai do meu filho que apesar dos erros não saiu do meu lado, sempre me ajudando e dando força durante todo o processo, e em especial a minha rainha, minha alma gêmea, minha metade, por tudo! Excepcionalmente tudo!!! Te Amo imensamente, sou completamente apaixonada por essa mulher guerreira que lutou junto comigo e venceu essa batalha! E claro, ao @rocinhaalerta por essa oportunidade de contar a minha história de superação! Hoje eu e minha mãe estamos bem, hoje dia 13 de outubro de 2021 completo 6 anos de transplante, estamos super felizes por tudo está dando certo até agora! Viramos empreendedora, temos a nossa loja, trabalhamos juntas e estamos mais firmes e juntas do que nunca! E eu só posso dizer, para que você nunca desista dos seus sonhos, acredite em Deus, pois ele pode todas as coisas! E sempre está apto a nos acolher e nos ajudar!!! Ele é o mesmo de ontem, e em todo tempo, ele é Deus!

Fábio Barros

Fábio Barros é um blogueiro e morador da Rocinha - RJ. Seu trabalho com a página Rocinha Alerta tem o intuito de dar voz as pessoas da comunidade. Luta por mudanças significativas na sociedade.
Follow Me:

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *